quarta-feira, 13 de julho de 2011

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Solidão

Pelos caminhos da Noite
Ando á procura de mim.
Névoas soltas, sombras longas;
Tristes silêncios de alfombras;
Tic-tac de relógio
Marcando horas sem fim...

Um cão latindo distante
Ecoando a madrugada,
Traz anseios de alvorada
Que insiste em não raiar...
Sons esquisitos de brisa
Assoprando no beiral,
Assombra meu quarto escuro
Com eco estranho de medo.

Rangidos baixos, discretos,
Apavorando esta insônia
Põem olheiras de morte,
Na secura dos meus olhos...

Nas fímbrias frias da aurora
Na antemanhã de mim,
Meus parcos cabelos brancos,
Emoldurando meu rosto
Franzido de porcelana,
De uma velhice sombria,
Profetizam o Amanhã!...

Pelos caminhos da Noite
Lá me vou... Em rumo á aurora
Que forceja as frias trevas
E não consegue raiar.
Pobre de mim, já passado,
Escondido na penumbra
Deste meu quarto de invernos,

Pelos caminhos da Noite,
Sem amor... Eis-me a chorar...

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